Quer saber o que me faz feliz? Vou dizer e não vou de forma alguma defender qualquer bandeira, vou defender sim um ponto de vista, uma ideologia que vai muito além de associar felicidade a consumo. Faz-me feliz ser tratado com respeito, com dignidade, com justiça independente de com quem eu esteja lidando. Pode ser o rapaz da limpeza ou até mesmo o mais assíduo cliente. Sei do meu lugar e não pretendo passar por cima da autoridade e da im

importância de ninguém, mas temos que frisar que quando essa classificação (necessária para o funcionamento de uma grande empresa) se torna abusiva, corremos risco de nos desgastar aos poucos e em longo prazo, nos transformarmos em sacos de pancadas dos problemas alheios, ou então, meros instrumentos do exercício da falta de respeito de muitos que acham porque somos “felizes”, temos que absorver suas infelicidades.
Não quero passar a idéia de que sou a favor do “bateu- levou”, não acredito que a forma de contornar uma falta de educação, seja sendo mal educado, a tranqüilidade e o equilíbrio sempre são os melhores remédios para todo o mal. Só acredito que deveríamos ser mais defendidos desse tipo de cliente. Não há frase mais estúpida do que aquela que diz: “o cliente sempre tem razão” visto que, muitos deles se apropriam dela para fazer as suas próprias regras. Faria-me muito feliz que minha empresa pregasse o respeito dos seus clientes aos seus colaboradores.
Faria-me feliz, poder saber antecipadamente minha folga e meus horários de trabalho, a fim de me programar para ver minha família e construir uma relação sólida com alguém, o que é bem difícil tendo em vista o grande “samba” que se estabelece por essa correria que nunca acaba, faltando ou não funcionário. Faria-me feliz não ser enganado por premiações que dizem ser mais vantajosas do que certos benefícios que aos poucos nos são tomados.
Faria-me feliz ir ao médico e esse me tratar como um paciente qualquer, observar meu caso, me medicar e se for o caso, me receitar repouso independente de eu trabalhar “naquela” empresa de comércio varejista. Atestados de horas em certos casos são maçante para quem esta doente.
Faria-me feliz não ser feito de bobo quando alguém resolve cortar minha folga, ou simplesmente, desrespeitando o meu direito de igualdade aos outros colegas, me escalando para trabalhar no Natal e no Ano-novo.
Faria-me feliz não ser tratado como irresponsável quando luto pelo que me é garantido por lei. E como me faria feliz que as pessoas não usassem chantagens emocionais para conseguirem que você trabalhe mais, ou que você desista daquela folga, ou mesmo mude seu horário de trabalho ao próprio bel prazer.
A três anos, quando entrei nessa empresa, via tudo diferente, enxergava principalmente através dela, um meio de voltar a estudar, pois 50% da faculdade ajudaria bastante, só teria que trabalhar duro por um ano. Quando completei este ano, as coisas se tornaram mais difíceis, eu teria que ser avaliado por vários superiores e concorrer a uma vaga de bolsa, o pior de tudo, é que eu poderia esquecer a possibilidade de estudar algo na minha área, pois caso conseguisse a bolsa, eu teria que optar por um curso voltado para o setor que trabalho, no caso padaria. Foi neste instante que decidi sair, nada mais me prendia na empresa, mas fui ficando, meu pai, então, ficou desempregado e fui ficando cada vez mais. Mas enfim cheguei ao meu limite. Vejo tanta gente insatisfeita com sete, oito, dez anos de casa, não quero chegar a esse ponto, essa situação não é nada vantajosa nem para a empresa, nem para o colaborador. Quero sair da mesma maneira que entrei, limpo e com a cabeça erguida.

Não me arrependo de ter entrado, aprendi muito sobre pessoas, relacionamentos e principalmente de como não ser no meu dia a dia com as pessoas que me cercam. Agradeço os amigos que me ensinaram, e os que me aturaram, os que me fizeram rir, chorar, crescer principalmente como ser humano. Faria-me muito feliz que todos eles percebessem em algum instante que só porque trabalho esta difícil, ir empurrando a vida com a barriga nunca é o caminho. Faria-me feliz, pedir as contas neste momento. E o que me faz feliz? Já ia esquecendo, me faz feliz as coisas simples da vida, sentimentos, momentos, risadas, trocas, aprender, ah como me faz feliz aprender.
E principalmente, felicidade não está ligada ao que posso ter, mas sim ao que eu sou e posso ser.
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