segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Adeus menina

Apagam-se as luzes, fecham-se as cortinas... Outro espetáculo se encerrou. Não, não estou falando de uma peça de teatro, ou de um concerto de música, muito pelo contrário, não falo de nenhum objeto cultural, falo de um circo armado para entreter e disfocar os olhares do que realmente importa. “A sociedade clama por justiça”, muito se ouviu esta frase nos últimos meses, queriam a pele dos assassinos, queriam que pagassem pela atrocidade antes mesmo de ser realmente comprovado que estes tinham realmente alguma culpa. Houve quem fizesse vigília na frente da TV, para acompanhar o próximo furo de reportagem sobre o caso, pois todos os programas, do de maior ao de menor audiência queriam uma fatia do bolo que é saboreado com voracidade pelo telespectador. Muitos deixaram de viver própria vida, para viver o caso como se quem tivesse morrido fosse algum membro de sua própria família. De cinco em cinco minutos um meio de comunicação lembra que ela morreu, e que não havia a tal da terceira pessoa no apartamento. Vizinhos dão entrevistas como se fossem celebridades, esquecem que é à polícia que devem alguma satisfação. Não quero inocentar ninguém através deste texto, isso não cabe a mim, e também não cabe a mim julgar. Nada que eu faço de errado fica em pune. Acredito na lei de ação e reação mais do que na justiça dos homens. Só queria desabafar porque só se fala nisso, no quanto foram cruéis, no quão é grande a dor da mãe, no quanto demora para que eles sejam punidos, alguns até ensaiam castigos, acham que eles tem que morrer de tanto apanhar, apodrecer na cadeia, etc. Mas esquecem que tudo tem um por que para acontecer. Nada, nem a maldade, passa pela nossa vida sem nos ensinar algo. Ah, as pessoas também esquecem que a mesma mãe que sofre, assiste a este sensacionalismo ridículo vendo a foto de sua filha exposta em reportagens. E principalmente: todo mundo esquece que é muito fácil “brincar de Deus” e difícil é ser quem se é, falho e cheio de defeitos. Para mim chega, encerrei este caso logo no começo, isso é um assunto de polícia e não da opinião pública. Enquanto se discute sangue no carro e pegada em lençol, em Brasília as CPI's estouram, Dilma Roussef escapa sempre pela tangente, cartões corporativos fraudados dão o que falar, até sindicatos começam a ser apontados com possíveis tendências corruptoras. Isso sim é assunto para o Brasil discutir e acompanhar. Isso sim é assunto nosso e não é mais do que nossa obrigação nos atentar a eles. Isabela, por você só me resta fazer uma prece, e vou fazer uma prece também por quem, infelizmente, vive hoje em função de sua morte ao invés de tomar vergonha na cara e passar a se preocupar e tomar atitude para mudar o país em que você viveu. Um abraço, descanse em paz. Criado em 27/06/08

Nenhum comentário: