segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

BALANÇO: A FAVORITA

A terceira novela de João Emanuel Carneiro na Rede Globo cumpriu seu papel com muita dignidade. Na verdade o autor conseguiu manter com “A Favorita” o relativo sucesso que havia feito em suas tramas anteriores: “Cobras & Lagartos” e “Da cor do pecado”, campeões de audiência do horário das sete. A trama das oito mostrou que o público ainda não esta preparado para uma nova linguagem da teledramaturgia brasileira, mudança que a cada dia se faz mais necessária, visto que, os telespectadores estão migrando para outras mídias e a novela está ficando desgastada e retrógrada. A linguagem adotada pelo autor de não revelar a verdadeira vilã no primeiro momento da trama foi determinante para que o público escolhesse a sua “Favorita” e a sustentasse até o final, fosse ela boa ou má. Tanto que mesmo após Flora mostrar sua cara, havia quem jurasse que a novela teria uma nova virada e Donatela seria apresentada como a verdadeira vilã. A novela foi palco para tramas paralelas bem elaboradas, mas infelizmente com conclusões não tão convincentes. São vários os exemplos, um deles foi a história do político Romildo Rosa (Milton Gonçalves), que no início da trama mandava matar, desabrigar humildes e traficar armas nas horas vagas acabou se arrependendo e se entregando à polícia após ver a sua filha Alicia (Taís Araújo) entre a vida e a morte, nada contra o arrependimento, todo mundo tem uma segunda chance, mas não se tem uma mudança repentina de personalidade de uma hora para a outra. Teve também o caso dos personagens homossexuais, cada vez mais freqüentes no horário nobre, que decepcionaram, Orlandinho (Iran Malfitano) iniciou a trama apaixonado por Halley (Cauã Reymond), no decorrer da trama, casou-se com Céu (Déborah Secco) para manter as aparências e entre uma escorregada e outra, acabou se apaixonando pela esposa, uma prova viva dos chamados ex-gays, defendidos com todo o fervor por igrejas evangélicas. Já a lésbica Estela (Paula Burlamaqui), tanto fez que conseguiu fazer com que a amada, Catarina (Lília Cabral), desistisse de seu casamento e fosse embora com ela para Buenos Aires com a desculpa de “viver novas experiências”. Tudo muito bem insinuado, como as novelas têm a mania de fazer com esses personagens. A favorita mostrou um casal 20 da “Vênus Platinada” mais cansado e desgastado, Tarcísio e Glória tentaram, mas não empolgaram como par romântico maduro da novela. Segundo Tarcísio, a culpa é dos autores das novelas. Em entrevista à Revista “Minha Novela”, o eterno galã reclamou de não ganhar melhores papéis devido à sua idade. Ao contrário de Tarcísio e Glória, outro casal deu muito certo na novela, Cauã Reymond e Mariana Ximenes atearam fogo na trama com a sua relação explosiva. Apesar da atriz amargar mais uma rejeição do público a um personagem seu (como ocorrido com as suas: Raíssa de “América” e Bel de “Cobras & Lagartos”) ao lado de Halley, Lara, a sua personagem, ganhava cor e principalmente pimenta. Pimenta também foi o ingrediente de outro casal. O polêmico caso de paixão da primeira dama da fictícia cidade de Triunfo, Dedina (Helena Ranaldi) com o Damião (Malvino Salvador) líder sindical e melhor amigo do prefeito Elias (Leonardo Medeiros), deu o que falar e resultou na loucura prematura do personagem de Helena e em sua súbita doença. Mais um desfecho decepcionante, porque Dedina depois de vagar como uma mendiga pela cidade sem o auxilio de ninguém, acabou morrendo como a adúltera, enquanto a moral e a dignidade de Damião permaneceram intactas até o último capítulo. Um final machista, não acha? Aos trancos e barrancos, “a favorita” foi uma novela que foi extremamente acertiva no que diz respeito a estratégia, mas pecou por finalizações perigosas e nem um pouco convincente.

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