quinta-feira, 28 de maio de 2009

"PROCURA-SE UM HERÓI"

Procura-se um herói com disponibilidade total para salvar a humanidade. É indispensável que goste de desafios, tendo plena convicção que terá em seu caminho pedras e espinhos e saber trilhá-lo com fé e determinação. Pede-se facilidade em se relacionar, cativando multidões pelo dom divino da palavra e um enorme compromisso de livrar seu povo do mal, mesmo que esse mal seja relativo e contraditório por envolver a insuficiência do ter e a falta constante do ser. Deve apresentar coragem para enfrentar de peito aberto a ideologia de um líder tirano que lançou seu povo à desgraça. Não é preciso experiência na função, nem mesmo ser de todo liberal, mas é necessário demonstrar facilidade em lecionar sobre o trato dado às diversidades e estar preparado para ser crucificado pela falácia ferina de um amigo. Também é irrelevante seguir alguma doutrina religiosa, pode-se até ter rompido com ela em algum momento da vida, sendo imprescindível saber utilizá-la a seu favor. Oferece-se contrato de trabalho que pode variar de acordo com seu desempenho e a aceitação de seus seguidores, mais todos os benefícios possíveis para este cargo como reconhecimento e valorização profissional variável de quatro à dois mil e nove anos. A vaga fictícia acima, refere-se ao choque entorpecente a que nos submete os meios de comunicação de massa toda vez que é preciso acalmar os ânimos em algum momento de dificuldade e estimular com isso o sentimento de esperança nas pessoas. Teoricamente, ela foi ocupada no dia 18/01, quando o democrata Barack Hussein Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos da América. Pode parecer pretensão apontá-lo como o homem que salvará a humanidade, mas é justamente nesta posição que a humanidade o coloca. Obama deixou de ser o grande homem da suposta maior potência do mundo, para se tornar o super-herói que irá nos salvar da crise financeira. Este poder foi atribuído à ele não só por seu carisma e competência, mas pela insistência da mídia de o colocar nesta posição. Ele é negro, de origem queniana e aberto a discussões, e isso quebra um protocolo de uma cultura racista e imperialista que por anos se arrastava. Junte a isso, o pior governo da história americana que sobreviveu por oito anos à custa de relações tendenciosas, discursos com tom demagogicamente nacionalista e muito, muito sangue inocente. A imagem de Obama quase ficou comprometida quando disputava a corrida presidencial democrata com Hilary Clinton. O pastor Jeremiah Wrigth considerado um pai por Obama, foi a TV e à templos fazer um discurso inflamado sobre a condição do negro e de radicalismo religioso. Era o combustível que seus adversários precisavam para atear fogo em sua campanha. Sabendo de seu favoritismo, tanto Hilary quanto John McCain, candidato republicano a presidência, o crucificaram insinuando sobre as sua verdadeira ideologia religiosa. Ideologia que foi colocada á prova em sua adolescência no seu envolvimento com drogas. Barack representa a esperança americana na permanência no poder. Querem se manter no topo, se livrando da ameaça do desenvolvimento oriental. O mesmo sentimento de esperança foi atribuído ao nosso presidente, Luis Inácio Lula da Silva em 2002 quando ele foi eleito pela primeira vez. Na campanha da oposição, a “namoradinha do Brasil”, Regina Duarte, deu seu depoimento dizendo que estava com medo da eleição do presidente, passou a ser pejorativamente chamada de “apavoradinha do Brasil” e a candidatura de Lula ter o slogam: “A esperança venceu o medo”, mesmo slogan utilizado hoje para definir a vitória dos democratas americanos. Sempre que as coisas não vão bem, a mídia em geral incrusta em nossas cabeças a tola necessidade de nomear um herói nos momentos difíceis. Desde Cristo, buscamos mentores, mestres, gurus, líderes para nos conduzir e representar. Criamos essa necessidade por precisarmos de uma figura viva, de carne e osso, alguém que seja mortal como nós, que sofra como nós, já que Jesus, apesar de ter tido um doloroso destino, nós remete a uma idolatria inteligível. É com base nessa idéia que a mídia se apóia. Mas existem outros interesses embutidos nessa abordagem maciça à esse ou àquele “herói” do momento. Há uma clara intenção de neutralizar nosso instinto de coletividade, o mesmo instinto que perdemos cada vez mais graças ao avanço tecnológico, que nos permite ir para onde quisermos e falar com quem precisamos sem se mover do lugar. Com um “herói” devidamente nomeado para tomar as decisões por nós, podemos viver as nossas futilidades, nossas fantasias e nossa rotina solitária sem ter que se preocupar com os problemas. A maior conquista com essa “comodidade” e a degradação do senso crítico, que passa a ser coletivo e unificado, de acordo do que é transmitidos à nós pelos meios de comunicação. A prova disso é como um suspeito vira assassino sem prévio juízo, de uma hora para outra. Você já percebeu que grande parte dos fatos históricos tem seu personagem principal, ou melhor, seu “herói”? E podemos nomear, idolatrar ou destruir, tudo depende da abordagem que a mídia fazer dele. Os “salvadores” são cada vez mais importantes. Isso pode ser atribuído à preguiça ou a falta de comprometimento do mundo moderno. Estamos acostumados a uma vida morna, digerível, onde se perdeu o interesse de lutar por um ideal. Aceitamos à tudo passivos, pois seja na Terra, ou seja no Céu, sempre teremos “heróis” para eleger, lutar por nós e nos “salvar”. assista a posse de seu novo "herói": fontes Revista Isto é 12 nov 08 Ano 31 n 2036 “TEMOS UM REDENTOR” 82 À 92 “ O AGENTE DA MUDANÇA”95 À 97” http://www.estadao.com.br/internacional/not_int326961,0.htm 19/02/09 http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2008/06/08/ali-1.93.19.20080608.7.1.xml vídeos: www.youtube.com 03/03/2009

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