terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ORLANDINHO QUEM DIRIA...

Quando a novela “A favorita” estreou em junho, Orlandinho, personagem do ator Iran Malfitano na trama das oito, esbanjava testosterona envolvendo-se com as mulheres mais belas da cidade. No decorrer da trama, a ligação misteriosa do rapaz com Halley, personagem de Cauã Reymond fez com que o público descobrisse que tudo não passava de uma forma de ocultar o seu eu verdadeiro. Rico e influente, Orlandinho aproveitava-se da ambição do amigo para “tirar uma casquinha” dele e se iludia em ter um relacionamento sério com o rapaz. Por amor à Halley, Orlandinho foi capaz de assumir seu filho e casou-se com a bela Céu, interpretada por Déborah Secco, para que ela não incomodasse o moço. Hoje, na reta final da novela, o personagem começa a demonstrar uma “recaída” se sentindo atraído pela sua amiga-esposa e há quem diga que os dois têm muitas chances de terminar a história juntos. Há uma grande responsabilidade nas mãos de João Emanuel Carneiro, autor da novela em definir o desfecho destes personagens na trama. Visto que a grande maioria dos telespectadores de telenovela refletem suas vidas nestas tramas, a idéia de transformar Orlandinho em um ex-gay é, no mínimo perigosa, principalmente neste momento em que a causa gay passa a ser assunto discutido através das repercussões destes personagens principalmente nas novelas das oito. Não digo que isso seja impossível, um gay se apaixonar por uma mulher e com ela viver uma história de amor, pelo contrário, tudo é possível quando se envolve sentimento, mas muita coisa precisa ser mostrada sobre o homossexual na TV antes desse lado da história ser abordado. O público pode mal interpretar a história de amor de Orlandinho e Céu e pode crer que para deixar de ser gay basta se envolver com uma bela mulher. Esta abordagem prejudica a vários jovens em busca de sua identidade que passaram a serem pressionados pela falta de compreensão daqueles que o cercam, principalmente os mais conservadores. Resta-nos esperar que Carneiro tenha a sensibilidade de enxergar a importância de sua decisão e dar um final que vá de encontro à atual realidade do homossexual no país, por que o papel da novela é ajudar a sociedade a refletir e não confundi - lá.

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