segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"A INDÚSTRIA DO SENSACIONALISMO MIDIÁTICO"

Os veículos de comunicação de massa estão submissos à uma classe cada vez mais crescente, a da indústria do sensacionalismo midiático, onde vende-se temas pautados na violência, na exploração da miséria humana e no sexismo subversivo, em troca de olhares atentos a tudo que é oferecido. Mas devemos refletir sobre a responsabilidade da audiência nestes enfoques e qual é o principal propósito dos meios de comunicação em apresentá-los. Partindo do princípio que um produto só permanece no mercado quando há um consumidor que o utilize, podemos, no caso do sensacionalismo midiático, atribuir a responsabilidade aos excessos cometidos pela mídia, em parte aos telespectadores. Se não houvesse um expressivo retorno ao espetáculo violento, desigual e exagerado do ser humano pelos meios de comunicação, não haveria este espaço ascendente. Inconscientemente a audiência se sente atraída pelo drama do outro. Cria-se uma expectativa mórbida, camuflada de solidariedade, sobre o desfecho de histórias que mexem e dividem a população. Um exemplo foi a cobertura e o espaço que a mídia destinou ao caso da menina Isabela, lançada da janela de seu quarto, por seu pai, no início do ano, em São Paulo. Todos os veículos de comunicação tinham suas atenções voltadas para o caso e em seu desfecho. Esta abordagem criou na audiência um sentimento de sede de justiça. É como se a menina Isabela fizesse parte da família dos telespectadores. É nisso que se apóia a mídia. Na arte de fazer com que as pessoas se coloquem no lugar das vítimas dessas situações. O “caso Isabela” não é um fato isolado na consolidação da massa como ser opinativo e atuante. Houveram casos em que a opinião pública foi chamada à uma excessiva discussão, através das páginas de jornal e de temas dos principais programas de TV, como o seqüestro de Silvio Santos, a trama tecida por Suzane Von Richtoffen para matar os pais e mais recentemente, o seqüestro da jovem Eloá, que teve o trágico desfecho acompanhado ao vivo, em rede nacional. De certo modo, esse processo de identificação pode ser positivo no que diz respeito ao sentimento de comprometimento que é criado na população, pois uma vez atingida por aquela tragédia, ela passa a ser fundamental na resolução do problema em si, através de uma denúncia, por exemplo. Serve também, como alerta para que problemas cotidianos das grandes metrópoles, com seqüestros, assaltos e assassinatos, típicos destes lugares sejam revistos e discutidos. É necessário que haja bom senso, pois o grande problema da mídia é pecar pelo exagero. A repetição e a abordagem sensacionalista atribuída aos fatos acabam por transformar a informação em um produto, que é consumido de forma descontrolada e irresponsável, transformando a dor alheia em uma “novela da vida real” que é assistida até o último capítulo por um público sedento por este espetáculo. Texto acadêmico Produzido dia 28/10/08 para a aula de lingua portuguesa I ilustração: autor desconhecido foto: divulgação "O Globo"

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